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AS FORMAS DO BARRO
Eu trago as formas do barro esculpidas em minhas mãos: o cheiro molhado de argila umedece as minhas palavras e o sol que vem do passado revela um segredo guardado.
A mão cumpre o risco no ar e os dedos beneficiam a argila, mergulhando no gesto vertical. A esquerda recebe a dádiva e juntas compartilham o corpo medido em areia, argila e água.
O verbo nas mãos se enconcha, se eleva, beija o ar em curva, e sobre o vazio da forma passa contra a madeira sem reclame. A direita alça o arco de arame e as aparas se despem da massa.
Assim se repete a procura em novo bolo que se enforma: vira-se a forma sobre a mesa de trabalho do artesão, e feito o asseio de areia, dois poemas brotam no chão.
De dois em dois, em soma de pares os montes de argila se multiplicam. E o oleiro, sem que se repare, contempla as paredes do futuro, que hoje, por certo, ainda abrigam os seus sonhos riscados num muro.
envio carlos machado, poesia.net
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